Temos Sabedoria?

Quando pensamos em sabedoria, logo nos lembramos do rei Salomão, o autor dos livros de Provérbios, Eclesiastes e Cantares três milênios atrás. O seu saber e produção literária foram excepcionais: ele deu origem a três mil provérbios (dos quais só foram conservados algumas centenas na Bíblia), mil e cinco cânticos, compêndios sobre plantas (Botânica), animais (Zoologia), insetos (Entomologia) e peixes (Ictiologia). Sem dúvida os seus achados, baseados na observação e experiência, serviram para adiantar consideravelmente essas ciências em seu tempo. A sua sabedoria foi notória por todo o mundo e ainda hoje aqueles dos seus conceitos que foram conservados na Bíblia, inspirados por Deus, são perfeitamente aplicáveis à nossa vida.

Ele era muito jovem quando subiu ao trono de Israel em sucessão ao seu pai, o rei Davi, em cumprimento à profecia que Davi havia recebido do SENHOR antes dele nascer. Tinha ao redor de dezoito anos de idade. Davi estava enfraquecido, vivendo os seus últimos dias, mas antes de morrer deu-lhe alguns conselhos:

“Coragem, pois, e sê homem!” – Para ter sucesso em sua missão, Salomão precisava ser um verdadeiro homem. Para desempenhar com sucesso a obra de Deus, antes de mais nada precisamos de ter coragem e as virtudes que associamos com um caráter varonil: integridade, força de caráter, determinação, justiça e retidão.

Para que prosperasse em tudo quanto fizesse, em qualquer parte, era essencial que fosse fiel ao SENHOR – Aprendendo e memorizando os Seus preceitos a fim de andar nos Seus caminhos e obedecer os seus estatutos e os seus mandamentos. De igual importância ao servo de Deus é o conhecimento perfeito da Palavra de Deus, para que possa andar sempre nos caminhos de Deus, e viver de conformidade com Sua vontade, sendo-lhe fiel em tudo. Com isso também servirá de exemplo para os mais novos.

Quando investido de soberania sobre o seu povo, impor a jurisdição divina e fazer cumprir os Seus testemunhos no templo, tudo em conformidade com o que se encontra escrito na Lei de Moisés. A própria segurança da dinastia de Davi no trono de Israel dependia da fidelidade sincera ao SENHOR por parte da sua descendência. O servo de Deus que for investido de autoridade na esfera da igreja local ou em outro serviço ou missão deve ter sempre em mente que toda a autoridade provém de Deus, e Ele é soberano. O servo de Deus que se vê em posição de autoridade, deverá usá-la para dar cumprimento às diretrizes que Deus nos deixou em Sua Palavra, como fiel administrador daquilo que lhe foi confiado. Um dia ele dará conta do que tem feito diante do tribunal de Cristo.

Finalmente, Salomão foi instruído a livrar-se daqueles que haviam já revelado seu mau caráter e infidelidade durante o reino de Davi, e a recompensar aos que lhe haviam sido fiéis. O servo de Deus não pode servir com eficiência se ele não se livrar primeiro daquilo que é enganoso e prejudicial ao seu testemunho: vícios, maus hábitos, amizades e leituras, etc., e a aplicar-se ao que é verdadeiro, amável, honesto, puro, justo e tudo que é de fé. Um dia o Senhor Jesus também vai limpar o mundo de tudo aquilo que ofende antes de dar início ao seu reino milenar sobre aqueles que forem dignos de nele entrar.

Equipado com esses conselhos sábios, Salomão iniciou o seu reinado. Ele amava ao SENHOR, e andava nos preceitos de Davi, seu pai. Eliminou os que haviam sido condenados por Davi, e servia ao SENHOR oferecendo-lhe sacrifícios e incenso.

Um dia, tendo Salomão feito um grande sacrifício ao SENHOR (“mil holocaustos”), o SENHOR lhe apareceu de noite, em sonhos, e lhe disse: “Pede-me o que queres que eu te dê”.

Deus sabia de antemão do que Salomão precisava e mesmo o que Salomão ia pedir. Mas era necessário que Salomão o pedisse – tanto para que ele fosse provado e reconhecesse de Quem vinha o dom que Deus iria lhe dar, mas também para o nosso conhecimento, sendo também um exemplo para nós. Deus sabe muito melhor do que nós aquilo de que precisamos, mas Ele deseja que peçamos a Ele o que queremos, para mostrar que reconhecemos a nossa dependência e para podermos louvá-lo ao ver respondido o nosso pedido.

Salomão respondeu sabiamente

Reconheceu que foi por causa da fidelidade, justiça e retidão de coração de seu pai Davi, que Deus agia com grande benevolência tendo-o feito nascer e dando-lhe o trono do seu pai. Deus é galardoador dos que O buscam e procuram fazer a Sua vontade.

Admitiu humildemente as suas deficiências – Era muito novo, inexperiente. O servo de Deus só poderá ser usado poderosamente por Deus quando se humilhar reconhecendo seus próprios defeitos e deficiências.

Reconheceu sua responsabilidade: o povo era muito numeroso, e o SENHOR o havia elegido para governá-lo. Todo trabalho de Deus envolve responsabilidade, e o servo de Deus percebe que é inadequado quando se conscientiza disso.

Salomão então pediu aquilo de que mais precisava para ter sucesso na obra que o SENHOR lhe dera: um coração compreensivo para julgar o povo, discernindo prudentemente entre o bem e o mal. Sábio é o servo de Deus que reconhece sua própria debilidade e procura o discernimento e a direção de Deus para desempenhar o Seu trabalho.

Em suma, reconhecimento da supremacia de Deus, fé, humildade sincera, seriedade, e dependência na provisão de Deus atestam a sabedoria do jovem Salomão. O pedido de Salomão agradou ao SENHOR porque ele não fora egoísta, mas tinha por objetivo obter o que precisava para governar o povo segundo os padrões da justiça divina. Notemos que ele pediu discernimento para fazer o seu trabalho, não que Deus fizesse o trabalho para ele. Não é certo pedir a Deus que Ele faça para nós aquilo que Ele vai fazer por nosso intermédio.

Deus apareceu a várias pessoas na antiguidade, em sonhos, mas hoje Ele nos fala pela Sua palavra, a Bíblia. Como Salomão, se formos sábios nosso desejo deve ser obter de Deus o discernimento para saber como melhor serví-lO, e forças e coragem para fazê-lo.

O SENHOR deu a Salomão muito mais do que ele havia pedido: deu-lhe sabedoria e inteligência acima de qualquer pessoa antes e depois dele, riquezas e glória maiores do que as de qualquer rei do seu tempo, e prometeu-lhe vida prolongada se fosse obediente a Deus em toda a sua conduta. Aos que seguem a Cristo e O servem, Deus promete dar sabedoria a quem o pedir, e se buscarmos primeiro o reino dos céus e a sua justiça, tudo o que precisamos neste mundo nos será acrescentado. Em lugar de riquezas e vida prolongada neste mundo, Ele promete riquezas inimagináveis como herdeiros com Cristo e a vida eterna em Sua presença, o que vale muito mais.

Salomão não foi sábio em uma coisa: em flagrante desobediência à lei de Deus, ele tomou para si como mulher a filha de um faraó do Egito (Deuteronômio 17:17). Talvez usando de uma sabedoria profana, ele quis com isto garantir a paz com o Egito, um dos países mais poderosos daquela época. Todo mundo fazia isso. É tentador, às vezes, não se dar muita importância à fé ou crença de pessoas com quem queremos nos associar. Mas mesmo o que parece ser uma pequena diferença no início pode ter um impacto sério sobre nós e o nosso relacionamento mais tarde. Deus nos dá padrões para os nossos relacionamentos, inclusive o casamento, e existe uma proibição ao que a Bíblia chama de “jugo desigual” para evitar suas más consequências, pois “que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?” (2 Coríntios 6:14). Essa política de Salomão, da qual usou mais vezes, trouxe-lhe muitos males, e finalmente o levou, quando velho, ao desastre final, a idolatria (1 Reis 11:4-5). Quem diria? Cuidemos para não nos desviarmos do caminho de Deus levados pela sabedoria profana. Como o próprio Salomão declarou: “O caminho do insensato aos seus próprios olhos parece reto, mas o sábio dá ouvidos aos conselhos” (Provérbios 12:15).

 

Richard David Jones

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