Queda e Restauração

A história de José provê instrução espiritual também sobre os motivos da queda do crente e como ele pode se recuperar. José estava cuidando das ovelhas de seu pai em Canaã quando Jacó o exaltou dando-lhe a túnica de muitas cores. Desta maneira Jacó manifestava que José era seu filho mais amado. Foi-lhe concedido também o direito de primogenitura com o privilégio da intercessão sacerdotal na família.

Imediatamente os outros filhos desprezaram José e em seguida rejeitaram seu sonho em que seus feixes se curvaram para o feixe de José. Quando ele os procurou em Dotã, não demorou muito para Rubem e os demais irmãos o despirem da túnica. Lançando-o em uma cova eles se sentaram para planejar o próximo passo a tomar. Judá logo planejou uma transação comercial e José foi vendido para os ismaelitas por vinte moedas de prata. Por incrível que pareça toda esta história reflete as vidas de muitos de nós como filhos de Deus. Nascidos na família de Deus nós falhamos em apreciar o grande e profundo amor do Pai para com Seu Unigênito Filho. As variadas belezas e atributos de Deus revelados em Seu Filho são levemente considerados por nós e as palavras de Cristo, como as de José no sonho, não são aceitas por nós. Como resultado disto os direitos que o Senhor tem sobre todos nós são deixados de lado em nossas vidas. Negócios, prazeres ou alguma outra atividade de interesse próprio se tornam mais importantes para nós do que darmos a Cristo o primeiro lugar – que é Seu direito.

A venda de José para o Egito teve imediatas e longas conseqüências. Conseqüências estas desastrosas para sua família. O primeiro a sofrer foi o próprio Jacó ao ver a túnica de seu filho manchada de sangue. Judá, que tinha organizado sua venda foi enredado na imoralidade. Durante vinte anos, o mesmo tempo que José levou para ser exaltado, a Bíblia mantém silêncio sobre seus irmãos: foi tempo perdido para eles. No tempo exato em que José estava sendo exaltado na casa de Faraó no Egito, começou a fome para seus irmãos.

Por acaso esta situação nos lembra de circunstâncias bem conhecidas? Acontece às vezes que um crente desaponta seus irmãos quando ele deixa de lado o amor e obediência a Cristo para viver uma vida mundana e talvez imoral como a de Judá. O povo de Deus fica de coração despedaçado, sabendo que algo sério pode acontecer mais adiante para tal pessoa, anos de fracasso espiritual, decadência moral, afastamento dos princípios bíblicos e de infidelidade podem acontecer. Tal como o filho pródigo, ela vai adiante até que se encontra numa situação sem saída.

A escassez em Canaã forçou os irmãos de José a buscar ajuda onde José estava, embora eles não soubessem. Tal ajuda foi conseguida somente após uma série tempestuosa de dificuldades. Seus irmãos não reconhecem José e somente podiam falar com ele através de intérprete. Depois, as exigências para trazerem Benjamim pareceram extremas e irracionais para eles. Em vista disto suas mentes se encheram de temor e confusão pensando no que poderia acontecer com Benjamim. Pouco a pouco a sua culpa em vender José ia atingindo seus corações. Eles ficaram totalmente dependentes daquilo que José queria fazer com eles até que ele se satisfez. Antes que José pudesse se dar a conhecer, eles se ajoelharam perante ele humilhados (Gn. 44:14).

Não é este o padrão para a restauração do crente hoje? Possivelmente enfermidade, acidente, ou fracasso num negócio desperta-nos a buscar o caminho de volta ao Senhor. Tal caminho é duro e Deus em tal situação parece longe, tornando a oração difícil. Então o Espírito Santo começa a falar no coração por meio da Palavra de Deus. As exigências por obediência estão lá, mas elas parecem tão severas? Temores sobre o que os outros vão pensar inundam a mente. Finalmente, semanas, meses ou mesmo anos mais tarde, o arrependimento e a submissão atingem o coração e Cristo é buscado com toda humildade. Nesta ocasião, o filho de Deus arrependido é como o pródigo, que disse: “faze-me como um dos teus jornaleiros”. Vem com o pleno reconhecimento de que não merece ser recebido de volta. Não sendo neste espírito a igreja erra em aceitá-lo.

Agora vamos notar a ação secreta por meio da qual o crente pode ser restaurado. Durante as viagens difíceis ao Egito os irmãos de José não tinham consciência da presença dele, nem mesmo de seus sentimentos ou motivos (Gn. 42:44). José chorou, ele desejava ver Benjamim, ele alimentou seus irmãos. Pacientemente ele esperou pelo arrependimento deles, e quando isto aconteceu então ele se deu a conhecer a eles em particular. Ele podia dizer: “Eu sou José… chegai-vos a mim” (Gn. 45:3, 4). Nesta ocasião a sua glória no Egito foi revelada, e ele beijou todos os seus irmãos e eles falaram com ele. Ele graciosamente os consolou e perdoou tudo o que se tinha passado. Logo ele providenciou uma casa em Gosen, perto dele mesmo, onde a família reunida podia ser nutrida e viver em prosperidade.

Hoje o Senhor Jesus Cristo age de maneira semelhante para com os filhos rebeldes de Deus. Enquanto tal crente continua longe dEle, Ele continua a providenciar tudo o que necessitamos fielmente, e como nosso Advogado apresenta os méritos do Seu sangue perante o Pai, e deseja ardentemente o dia da nossa restauração. Irmão ou irmã, o que é que está faltando mais para você ser restaurado? Para aqueles que se arrependem, Ele revela-se providenciando perdão, renovação da alegria e restauração da comunhão. O Senhor Jesus, assim como José, diz: “chegai-vos a mim”. Ao Senhor nosso Deus pertence a misericórdia e o perdão (Daniel 9:9).

Periódico Palavras de Edificação

Gerar PDF

Você pode gostar...