O Tabernáculo

Tendo recebido o nome de “Tenda da Congregação”, e com objetivo semelhante à tenda que Moisés armava para si fora do arraial israelita, de onde o Senhor falava a seu povo (Ex 33:7-10), o Tabernáculo era uma “habitação” que tinha como principal característica o fato de ser portátil, ou seja, ele podia ser transportado de um lugar para outro sem perder suas características construtivas. Tratava-se de uma obra que expressava toda a beleza da Pessoa de Cristo, algo retratado em cada detalhe dos utensílios e peças que o caracterizava, os quais apontavam para “O Messias”. Olhamos também para o Tabernáculo como a ilustração perfeita da presença de Deus em seu Filho, nos dias da Sua “Obra de Redenção” do homem pecador (Jo 1:14).

Sua Finalidade

O Tabernáculo tinha a forma de uma tenda e foi edificado conforme o modelo que Deus ordenou a Moisés para que o fizesse (Ex 25:9; 25:40 e 26:30). O Tabernáculo serviu de morada para Deus no meio do povo de Israel, daí lhe vem o nome de habitação por ter sido o lugar onde Deus (Javé) falava a seu povo (Ex 33:9-11). Nele se achavam depositadas as tábuas da lei, ou o testemunho, daí ser chamado de “Tabernáculo do Testemunho” (Ex 25:21-22 e 38:21), e “Casa do Senhor” (Ex 34:26).

Os Materiais

Os materiais para construção do Tabernáculo foram adquiridos ali mesmo e em larga quantidade. As madeiras vieram de “todo possuidor de madeira de acácia para toda obra do serviço” (Ex 35:24). Deram os homens e as mulheres os braceletes, as arrecadas, os anéis e os ornatos dos braços; todos os vasos de ouro foram postos à parte para donativos do Senhor. Se algum tinha jacinto, púrpura e escarlata, linho fino e pelos de cabra, peles de carneiro, metais de prata e de cobre, paus de cetim para vários usos, tudo ofereceram ao Senhor. Os príncipes ofereceram pedras cornelinas e pedras preciosas para o éfode (Ex 35:21-29). O largo dispêndio de metais preciosos para uma construção temporária ficou plenamente justificado, uma vez que todos os materiais tinham de ser aproveitados, quando se procedesse à construção permanente.

O Senhor deu a Moisés as instruções minuciosamente para a edificação do Tabernáculo, a começar pela “Arca”, que era o ponto central para o encontro de Javé com o seu povo (Ex 25:22). Na construção do Tabernáculo, temos:

I. Utensílios Essenciais e Permanentes

  • A fabricação da “Arca”, da “Mesa dos Pães da Proposição” e do “Candelabro de Ouro”, símbolos de coisas celestiais (Ex 25:10-40 e Hb 9.23-28);
  • A orientação quanto aos “Pães da Proposição”, que deveriam estar sempre na presença de Deus (Ex 25:30);
  • A construção do “Lugar Santo” e do “Santo dos Santos” (Lugar Santíssimo) em seus pormenores (Ex 26:1-37);
  • A construção do “Altar do Holocausto”, no “Átrio” (Ex 27:1-8);
  • A construção do “Átrio” (Ex 27:9-19);
  • A obtenção do “Azeite” para o “Candelabro”, que deveria ser puro e de oliveira, para conservá-lo sempre aceso (Ex 27:20-21).

II. Aproximação a Deus

Ela se dava por mediação do “Sacerdócio”. Os detalhes são:

  • A Instituição (Ex 28:1);
  • As Vestes (Ex 28:2-43);
  • O Modo de sua Consagração (Ex 29:1-36).

Depois de criada a “Ordem Sacerdotal”, vem as especificações referentes ao “Altar” e ao “Sacrifício Contínuo” (Ex 29:37 e 29:38-42).

III. O Altar dos Incensos

Simbolizava a adoração que o povo santificado oferecia a seu Deus. Somente neste lugar é que se fala do “Altar dos Perfumes” (Incensos) em separado dos demais utensílios que ornavam o Tabernáculo (Ex 30:1-10). Deveria ocupar logicamente o ponto em que o povo oferecia as suas adorações ao Senhor. Em outros lugares, figura ele em conjunto com os demais utensílios, na seguinte ordem: “A Arca”, “A Mesa”, “O Candelabro”, “O Altar do Incenso” e “O Altar do Holocausto”, como se revela em relação a estes objetos (Ex 37:25-28), na enumeração de todos os utensílios (Ex 39:38), nas instruções sobre a maneira de levantar o Tabernáculo (Ex 40:5), e no relato final de sua elevação.

IV. Provisões para as Necessidades do Culto

  • A Contribuição de Meio Siclo (5,712g), preço do resgate de cada pessoa (Ex 30:11-16);
  • A Bacia de Bronze (Ex 30:17-21);
  • As Santas Unções de Óleo (Ex 30:22-33);
  • O Incenso (Ex 30:34-38).

O Aspecto Construtivo

O Tabernáculo formava um paralelogramo de 30 côvados (13,32m) de comprimento por 10 côvados (4,44m) de largura, com entrada pelo lado oriental (Nascente). A parte traseira e os dois lados eram feitos com 48 tábuas, 20 de cada lado e 8 nos fundos, das quais, duas formavam os ângulos. Cada tábua tinha 10 côvados (4,44m) de altura por 1 côvado e meio (66,6cm) de largura, todas cobertas de ouro. As tábuas apoiavam-se em bases de prata, duas em cada tábua, ligadas entre si por barrotes de pau de cetim; cinco para conterem as tábuas a um lado do Tabernáculo, outros cinco para o outro lado, e cinco para o lado ocidental (Poente), presos a argolas de ouro (Ex 26:15-30).

Toda a frente servia de entrada, onde se erguiam cinco colunas de pau de cetim douradas, cujos capitéis eram de ouro e as bases de bronze, de onde pendia um véu de jacinto e de púrpura. O interior dividia-se em duas secções, separadas por uma cortina suspensa de quatro colunas douradas, com capitéis de ouro e bases de prata (Ex 26:32-37). Os dois compartimentos ficavam na parte ocidental (Poente), onde se achava o “Santo dos Santos”, medindo 10 côvados (4,44m) em todas as direções, e o “Lugar Santo” que tinha 20 côvados (8,88m) de comprimento, 10 côvados (4,44m) de largura, e 10 côvados de altura (4,44m) (Ex 26:16).

As Cortinas

I. A coberta e os lados tinham uma cortina de linho retorcido de cor de jacinto, de púrpura e de escarlata com querubins. Esta cortina era feita em dez pedaços, cada um dos quais tinha 28 côvados (12,43m) de comprimento por 4 côvados de largura (1,77m). Cinco pedaços eram enlaçados uns com os outros, e os outros cinco se uniam do mesmo modo, de sorte que formavam duas peças que se prendiam entre si. Uma formava a coberta e três lados do “Santo dos Santos”, e a outra, a coberta e outros dois lados do “Lugar Santo” (Ex 26:1-6).

II. A principal coberta externa do Tabernáculo, era de pelos de cabra e consistia de onze cobertas estreitas, tendo cada uma delas 30 côvados (13,32m) por 4 côvados (1,77m), isto é, 2 côvados (88,8cm) mais compridas do que as cobertas internas feitas de linho (Ex 26:13). Estas onze cobertas se ajuntavam umas às outras, formando duas secções: uma com cinco, e outra com seis. A parte formada pelas cinco cobria o teto e três lados do “Santo dos Santos”; a mais larga cobria o teto e os lados do “Lugar Santo”, dobrando a sexta parte por diante do teto (Ex 26:7-13).

III. A terceira coberta era de peles de carneiro, tintas de vermelho (Ex 26:14).

IV. À entrada do “Lugar Santo” pendia um véu, e outro em frente do “Santo dos Santos”. Cada um deles era de cor de jacinto, de púrpura e de escarlata, e de linho fino retorcido, com lavores de bordados, com figuras de querubins, para indicar que ninguém se poderia aproximar da presença de Javé (Ex 26:31-37).

Seu Posicionamento

O Tabernáculo estava inserido num “Átrio” retangular de 100 côvados (44,4m) de comprimento “na direção Leste – Oeste” (Nascente – Poente), e de 50 côvados (22,2m) de largura na direção “Norte – Sul”, cercado por vinte colunas de cada lado com outras tantas bases de bronze e capitéis de prata, cada uma separada da outra, 5 côvados (2,22m), com cortinas de linho retorcido. Na entrada do átrio havia uma coberta de 20 côvados (8,88m), de jacinto, de púrpura, de escarlata tinta duas vezes, e de linho fino retorcido, com quatro colunas e outras tantas bases (Ex 27:9-18).

O Tabernáculo ocupava a metade da parte ocidental (Poente) do “Átrio”; o “Mar de Bronze” e o “Alta do Holocausto” ficavam na outra metade para o lado do Oriente (Nascente), sem coberta alguma. A “Arca” era o ponto de convergência de todo o cerimonial e ocupava o “Santo dos Santos”. No “Lugar Santo”, bem defronte do véu que o separava do “Santo dos Santos”, erguia-se o “Altar do Incenso”, que, não obstante, também pertencia ao Oráculo (I Rs 6:22 e Hb 9:3-4).

Neste mesmo “ambiente” estava a “Mesa dos Pães da Proposição” ao lado direito, e ao lado esquerdo o “Candelabro de Ouro”. No Átrio (parte externa) estava o “Mar de Bronze” e o “Altar do Holocausto”.

Sua Trajetória

A dedicação do Tabernáculo fez-se no primeiro dia do segundo ano depois que os israelitas saíram do Egito (Ex 40:17). Durante o dia, cobria-o uma “Nuvem”, e durante a noite, pairava sobre ele uma “Coluna de Fogo”, enquanto durou a viagem pelo deserto. Quando se levantava acampamento, os levitas se encarregavam de desmontar o Tabernáculo para, novamente, o levantarem em outro lugar (Ex 26; 27:9-19; 35:4-36; 38 e 40:1-38).

Enquanto durou a conquista de Canaã, a “Arca” permaneceu no campo em Gilgal. Depois de se estabelecerem na terra prometida, Josué levantou o Tabernáculo em Siló, onde permaneceu em todo o tempo dos Juizes (Js 18:1). Parece que em torno do “Lugar Santo” havia dependências destinadas aos sacerdotes e à guarda das ofertas que o povo fazia ao Senhor (Nm 3:23,29,35 e I Sm 3:3). Essas dependências, com certeza, eram protegidas de modo diverso, porque era o Tabernáculo. Fala-se em “Tendas” (II Sm 7:6), em “Porta do Tabernáculo do Testemunho” (Js 19:51; I Sm 2:22), em “Habitação de Javé” (Js 22:19,29; Jz 19:18; I Sm 1:7,24 e 3:15).

Quando os Filisteus tomaram a “Arca”, o Tabernáculo perdeu toda a sua glória e todo o seu valor (Sl 78:60). No reinado de Saul a “Arca” esteve em Nobe (I Sm 21:1 e Mc 2:26). No reinado de Davi e no de Salomão, até à construção do Templo, o Tabernáculo estava num alto que havia em Gibeão (I Cr 16:39 e 21:29). Depois que Salomão edificou o Templo, segundo o modelo do Tabernáculo, porém em mais largas proporções, tudo que havia no Tabernáculo foi transferido para ele (I Rs 8:4 e II Cr 5:5).

 

Dicionário John Davis

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