Perigo! Desvio!

Perigo! Desvio! O motorista que não der importância a tais avisos na estrada poderá sofrer sérios danos. E na vida espiritual não é menos desastroso negligenciar os avisos da Palavra de Deus. Nas estradas os desvios devem ser seguidos, mas na vida espiritual devem ser evitados a qualquer custo. Constituem-se um perigo real, tanto para o cristão individualmente, como para as igrejas.

É impressionante quantos desvios de cristãos e de igrejas são registrados em o Novo Testamento. E quantos avisos há na Palavra de Deus, alertando-nos quanto ao perigo de desvios nos últimos tempos!

Muitos, porém, daqueles que se desviaram no passado, caíram porque não perceberam o perigo. Muitos deles, mesmo depois de desviados, ainda achavam que estavam indo muito bem! A igreja em Laodicéia pensava que era rica e sem necessidade alguma, quando, na realidade era uma igreja desgraçada, miserável, pobre, cega e nua (Ap 3:17). A linguagem nos choca; é muito forte, mas é a palavra do Senhor. Os gálatas pareciam estar hipnotizados! (Gl 3:1).

Em nossos dias o perigo continua sendo o mesmo. Muitos são seduzidos pelos costumes das denominações e deixam a simplicidade do modelo bíblico, sem perceber que estão se desviando; acham que estão progredindo!

Precisamos examinar os nossos corações e as nossas práticas, individualmente e, também, como igrejas. Todos nós sabemos que muitos têm-se desviado, no passado, mesmo sem perceberem que estavam se desviando; reconhecemos que outros ainda poderão cair da mesma forma, mas sentimos que nós jamais cairemos. É tão natural pensar assim. Lembram-se da atitude de Pedro? (Mt 26:35).

Confiamos em nosso conhecimento e sabedoria; afinal, não somos crianças! Não devemos esquecer, porém, da Escritura que diz: “Aquele pois que cuida estar em pé, olhe, não caia” (I Cor 10:12).

Exemplos:

A Igreja em Corinto estava em perigo e não percebia. Estava até inchada, confiando no seu muito conhecimento (I Cor 4:18-19; 5:2; 8:1), mas Paulo estava preocupado. Ele escreveu: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo” (II Cor 11:3).

O desvio das igrejas na província da Galácia surpreendeu muito ao apóstolo. Ele vira a mão do Senhor operando naquele lugar. Houve conversões e várias igrejas foram plantadas. Pouco tempo depois ele escreveu-lhes, dizendo: “Maravilho-me de que tão depressa passásseis dAquele que vos chamou à graça de Cristo para outro Evangelho” (Gl 1:6). Ainda, na mesma carta, exclamou: “Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade?” (Gl 3:1).

Mesmo igrejas que Paulo não conhecia pessoalmente o preocupavam. É o caso de Colossos. Sua preocupação é evidente na carta aos colossenses em expressões tais como: “E digo isto, para que ninguém vos engane com palavras persuasivas” (Cl 2:4). E: “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”(Cl 2:8).

Mesmo uma igreja exemplar, como a de Tessalônica, não estava imune a estes perigos. Paulo estava tão preocupado com isto, que achou melhor ficar sozinho em Atenas, enviando Timóteo para Tessalônica, pois temia que o tentador os tentasse, e o seu trabalho viesse a ser inútil (I Ts 3:1-5).

Até a igreja em Éfeso – talvez a mais destacada em todo o Novo Testamento – estava sob ataque, levando Paulo a rogar a Timóteo que ficasse em Éfeso para advertir a alguns que não ensinassem outra doutrina (I Tm 1:3).

E que mais direi? O espaço não me permite falar dos avisos dados por Pedro, por João ou por Judas. O que temos visto, porém, é suficiente para demonstrar que a tendência humana, mesmo de homens salvos, é de desviar do propósito de Deus. Toda a história da igreja nestes dois milênios é uma triste confirmação deste fato.

Irmãos, precisamos dar ouvidos ao brado de alerta que estes exemplos fornecem. Não foram registrados nas Escrituras para humilhar ou envergonhar as igrejas da era apostólica, mas sim, para servir de alerta para as igrejas dos nossos dias, visando à nossa preservação.

“O Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrina de demônios” (I Tm 4:1).

“Também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição” (II Pe 2:1).

Irmãos, podemos ignorar tais avisos? Não é a hora de confrontarmos a nossa prática com a Palavra de Deus para ver se porventura estamos desviados dela?

Creio que um momento de meditação na atual situação há de convencer-nos de que vivemos uma hora de apostasia profunda. As profecias acima mencionadas cumprem-se plenamente em nossos dias e em nosso meio.

Em Apocalipse 1 a 3 vemos que o Senhor anda no meio das Suas igrejas. Seus olhos, como chama de fogo, perscrutam e provam as suas obras. Nas mensagens que mandou àquelas igrejas há muitas advertências solenes e incentivos benditos, porém a Sua disposição de remover o castiçal (2:5) ou de vomitar a igreja da Sua boca (3:16) não pode ser ignorada.

Mas Ele ama as Suas igrejas. Naquelas cartas vemos, no meio das advertências tão solenes, o Seu desejo de restaurar. E Ele mostrou claramente o caminho.

O primeiro passo teria de ser o arrependimento (Ap 2:5, 16, 21 e 3:3, 19). De modo mais específico, a igreja em Éfeso foi chamada à prática das primeiras obras (2:5) e a de Laodicéia a comprar do Senhor o que era necessário à sua restauração (3:18). Restauração era possível, mas havia um preço a pagar.

Irmãos, o Senhor ainda anda no meio das Suas igrejas, perscrutando e provando. Ele não quer remover castiçais; Ele quer restaurá-los. Mas Sua atitude vai depender da nossa. Se estamos dispostos a voltar à prática das primeiras obras, aquelas do modelo que o Senhor estabeleceu nas Escrituras, teremos Sua aprovação, Sua ajuda e Sua benção.

Mas há um preço a pagar. A renúncia das nossas preferências e das nossas práticas que não têm respaldo na Palavra de Deus será difícil. O “colírio”, porém, que podemos comprar do Senhor, nos fará capazes de ver o nosso estado como Deus o vê.

Que cada irmão e cada igreja esteja disposto a pagar o preço, voltando à prática das primeiras obras, àquela simplicidade que há em Cristo, antes que seja tarde demais.

Ronaldo E. Watterson