Verdade Viva – Boas Novas, Edificação Cristã, Metodologia e Princípios Bíblicos

Brasília - DF    06-02-2012    BRST

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O Fundamento da Igreja Imprimir
Autor:  Severo M. de Oliveira   

No versículo 13 do trecho em pauta, o Senhor Jesus indaga de seus discípulos quem dizem os homens ser Ele. A resposta deles revela notavelmente a ignorância do povo em geral sobre a Sua Pessoa (v. 14). Leia Mateus 16:13-18.

Mas Ele vai um pouco além e pergunta aos seus próprios discípulos quem dizem eles ser Ele, pois pelo tempo em que estavam juntos, certamente teriam alguma opinião formada (v. 15). Pedro, imediatamente, em nome dos demais, declara: “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo” (v. 16). Aqui está uma das maiores e mais importantes revelações sobre quem é, de fato, Jesus de Nazaré. Ele é o CRISTO! Portanto, o que foi revelado a Seus servos, foi Sua divindade.

Em seguida, Ele diz ser Pedro um homem bem-aventurado (v. 17) porque coube a ele o privilégio de falar publicamente o que estava no coração de Deus. Portanto Pedro foi o veículo usado pelo Pai para, naquele momento especial, revelar Seu Amado Filho como igual a Si mesmo, antes do Seu sofrimento e morte na cruz do Calvário, confirmando o que o Senhor já havia declarado aos judeus, isto é, que o FILHO de Deus era o próprio DEUS (leia atentamente João 10:30-36).

Infelizmente, para muitos hoje em dia, Pedro tornou-se objeto de louvor por causa da declaração que Cristo fez a respeito dele, porém o que lemos no versículo 18a: “Também eu te digo que tu és Pedro”, indica que Pedro continuava sendo o mesmo. Nada de extraordinário mudou em sua natureza após aquela sublime revelação. Basta que o leitor compare os versículos 21 a 23 para notar a grande falha da parte de Pedro, que levou o Senhor Jesus a repreendê-lo severamente. Será muito importante frisar que para Pedro foi um privilégio ser usado por Deus para aquela revelação tão gloriosa, como foi para Maria, em sua virgindade, conceber e dar à luz o Santo Filho de Deus. Ambos foram privilegiados, mas nenhum deles deve ser venerado, pois eles foram apenas servos que Deus usou segundo Sua Soberana vontade e não por seus méritos. Portanto, toda a glória pertence a Deus.

No versículo 18b, notamos coisas grandes e profundas pronunciadas pelo Senhor Jesus com respeito à sua futura igreja. São as seguintes:

1º) Quando o Senhor Jesus disse: ”Sobre esta pedra”, Ele não estava referindo-se a Pedro, mas sim à Sua própria Pessoa divina que acabara de ser objeto da extraordinária revelação. Cristo é a Pedra (Rocha) inabalável sobre a qual a igreja está sendo edificada. A confissão de Pedro implica o fato de que Cristo é Deus, que Ele tomou a forma humana, assumiu a posição de Servo e sofreu a morte mais cruel e vergonhosa — a morte de cruz (Fp 2:6-8), que Ele ressuscitou vitorioso, como estava determinado. No primeiro dia da semana, bem cedo, foi dada pelo anjo a nota mais sublime: “Ele ressuscitou, não está mais aqui; vede o lugar onde o tinham posto” (Mc 16:6). O Cristo vivo é o Alicerce da Igreja. Pedro afirmou ser Ele “a Pedra que vive” (1 Pe 2:4). De fato Ele ainda hoje está transformando pedras mortas (homens em seus pecados) em pedras vivas (homens perdoados e salvos), colocando-as na edificação da Igreja (I Pe 2:5), a qual é também chamada pelo apóstolo Paulo de “a casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo” (I Tm 3.15). Jesus Cristo é o fundamento vivo e inabalável da Igreja (ICo 3:10-11).

2º) É muito importante a expressão do Senhor Jesus quando disse ”edificarei”. O tempo verbal usado por nosso Senhor indica que naqueles dias a igreja ainda não existia. De fato, só veio a nascer no dia da festa de Pentecostes, como lemos em Atos 2. Sua declaração mostra-nos, também, que Jesus mesmo é o Edificador da igreja. Ele a está edificando por meio dos dons que lhe concedeu, conforme lemos em Efésios 4:7-16. Os dons aqui mencionados não são as capacidades dadas aos crentes, como em I Coríntios 12, mas sim certos homens por Ele dados à igreja, aos quais Ele concedeu aqueles dons. É bom lembrarmos que os apóstolos e profetas mencionados no versículo 11a fazem parte dos dons fundamentais. Estes foram dados pelo Senhor Jesus no início da igreja para lançar o fundamento, isto é, apresentá-Lo como o Cristo, o Homem perfeito que foi morto na cruz e ressuscitou dentre os mortos para a salvação de todo aquele que crer (I Co 3:10-11; Ef 2:20-22). Eram, portanto, dons transitórios. Os demais dons (evangelistas, pastores e mestres), fazem parte dos dons permanentes, com os quais contam até hoje as igrejas locais, para aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço e para a edificação (Ef 4:12). Desta forma, Ele está ainda hoje edificando Sua igreja.

3º) Quando o Senhor Jesus disse ”edificarei a minha igreja”, Ele quis dizer que a mesma pertence-Lhe por direito, mediante pagamento. E quão grande foi o preço que Ele pagou por Sua igreja! ( leia Mt 13:44-46; I Co 6:20; I Pe 1:18-19). Logo vem-nos também à mente Efésios 5:25: ”Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela”. Ele pagou o preço exato, do tamanho de Seu amor. Quão solenes são estas verdades!

Quantos assenhoreiam-se desta propriedade divina como se fossem os donos da igreja, e isso não é justo, pois ao instruir os presbíteros diz: “... não como dominadores dos que vos foram confiados...”. Certamente aqueles que foram colocados pelo Espírito Santo à frente da igreja devem contentar-se com a posição de servos e, nunca, de senhores. Irmão, a igreja pertence ao Senhor Jesus.

4º) Finalmente, outra verdade que este versículo nos apresenta é que o inimigo lutaria (e como tem lutado!) contra a verdadeira igreja de Cristo, mas não prevaleceria contra ela, visto que Jesus Cristo é seu Fundamento, Edificador e Proprietário. Portanto, é impossível que o inimigo vença, pois Cristo, que a sustenta, é o grande Vencedor (Ap 5:5). Amém! Aleluia!

Quando lemos a história da igreja desde os tempos bíblicos, vemos como o diabo tem lutado contra ela usando seus diferentes ardis para destrui-la. No principio ele levantou perseguidores que impiedosamente matavam os crentes, degolando-os ou queimando-os vivos, atirando-os nas arenas para lutarem contra leões ferozes como espetáculo parta o povo. Tudo isto à vista de outros cristãos visando intimidá-los. Porém, quanto eram perseguidos, tanto mais os cristãos se multiplicavam.

Sábio e astuto como é, o diabo usa atualmente uma tática especial: a mistura. Hoje em dia quase não se consegue mais distingüir um cristão verdadeiro do não cristão; há muitos crentes que até parecem ser descrentes, enquanto há muitos descrentes que parecem ser crentes. O catolicismo romano hoje está cantando hinos, orando e usando em suas pregações a mesma linguagem dos crentes, levando suas Bíblias quando vão às suas reuniões e trabalhando ativamente no evangelismo pessoal de casa em casa, coisa que muitos dos verdadeiros crentes não fazem. Com estas coisas, o diabo pensa que vai destruir a igreja de Cristo, mas está muito enganado, pois Cristo tem a Sua igreja verdadeira sob os Seus olhares e anda no meio dela (Ap 1:12-14; 2:1). Além disso, em meio a esta confusão Ele retirará daqui a Sua amada igreja deixando para trás uma igreja falsa, dominada por Satanás.

Irmãos, estejamos confiados, pois Jesus Cristo é a Rocha, a Pedra fundamental da igreja, a qual jamais será abalada, pois está segura nEle, a Quem seja glória para todo o sempre. Amém!

 

Severo Miguel de Oliveira [ Vigiai e Orai - Edição 98 - Janeiro a Maio de 2003 ]