O amor da criatura para com o Criador requer necessariamente obediência; caso contrário, não tem qualquer sentido. (Francis Schaeffer) |
Está Escrito...
| Os Dons Espirituais |
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| Autor: Pierre Oddon | |||
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Confundir os dons do Espírito Santo com o dom do Espírito Santo é confundir o que nos é dado com Aquele que dá.
I- OS DONS, OS SERVIÇOS, AS OPERAÇÕES Na Antiga Aliança, o Espírito Santo animava temporariamente alguns homens para uma missão particular, mas podia ser retirado (Jz 13:25 e 16:20). Na dispensação cristã o Espírito Santo é dado aos crentes "para estar com eles eternamente" (Jo 14:16). É Ele Quem distribui a cada membro do Corpo de Cristo "graças" que lhes permitem cumprir a sua função para o bem do conjunto. Um exemplo, muito imperfeito, sem dúvida, poderá ajudar-nos a compreender os versos de I Cor 12:4-6. Suponhamos um indivíduo que acaba de obter um diploma de professor numa universidade. É uma qualificação humana que serve para ilustrar a qualificação espiritual que o Espírito Santo outorga soberanamente aos membros do Corpo de Cristo, em vista do serviço dado pelo Senhor, ou para lhe fazerem face. Em seguida lhe é confiado um posto, e aquilo o que deve fazer lhe é indicado pelo director do estabelecimento. Isto corresponde à função para a qual o Senhor nos chama, ao serviço que Ele nos confia e que nós devemos realizar de harmonia com a Sua vontade. Tendo assim a qualificação e um posto correspondente, é necessário que esse indivíduo ensine de facto, para ser útil; aliás, para poder ser realmente eficiente, convém que ensine a matéria para a qual é qualificado. E, por um lado, um inspector virá controlar o ensino ministrado; por outro lado, os resultados obtidos testemunharão da qualificação e da seriedade do professor no exercício da sua função. Isto corresponde às actividades que devem ser exercidas, por um lado, sob a responsabilidade do crente, mas, por outro, em virtude da unção do Espírito, sob a autoridade do Senhor, sob o controle do próprio Deus. Se há "diversidade de operações", e o mesmo Deus que opera tudo, em todos". II- HÁ SOMENTE NOVE DONS ESPIRITUAIS? Há quem o afirme. Porém, na realidade há ali um desvio daquilo que nos ensina a Sagrada Escritura. Leiamos I Cor 12:1,4: "Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo". Segue-se, nos versos 8-10, a enumeração de 9 dons. Mas não fiquemos apenas na leitura superficial, notemos: Que a expressão "dons espirituais" do primeiro verso não se encontra no original (nem nos versos 1 e 12 do capítulo 14). A palavra grega, ela própria imprecisa, tem sido traduzida por ("manifestações" espirituais), ("coisas" espirituais), e até mesmo ("dons" espirituais), com a condição de que o vocábulo escolhido pelo tradutor seja colocado entre colchetes para, bem mostrar que não se encontra no original. Não é que flos neguemos a realidade dos "dons espirituais" mas quem não utilizar um vocabulário rigorosamente bíblico é quase sempre levado a desviar-se doutrinariamente. Que, no verso 4, alguns tradutores escrevam somente "dons e muito natural, pois podemos fazer a comparação com o primeiro verso e pensar: "dons espirituais". Porém no original não é a palavra "charisma" que significa propriamente "dom concedido pela graça". Os Coríntios não tinham falta de nenhum desses "dons de graça" (l Cor 1:7). Encontramos assim, nos versos 8-10, uma lista de 9 "charismas" ou "dons de graça". O apóstolo tem o cuidado de aplicar este termo 5 vezes neste mesmo capitulo particularmente nos versos 4 e 31; os três outros empregos eram em relação com as curas. Esta lista não é, aliás, limitativa: Com efeito, neste mesmo capítulo, outros dons são acrescentados nos versos 28-30. Um dom para o ensino é também uma qualificação do Espírito, é um dom de graça (I Tm 4:14; II Tm 1:6). Há também as listas de Rm 12:6-8 e de I Pe 4:7-11, sem contar a de Ef 4:11 onde uma outra palavra grega (doma) é empregada. Notemos enfim que o que se poderia chamar "os dons do Espírito" em I Cor 12:7-11 e os "dons de Cristo" em Ef 4:7-11 são considerados, como "dons de Deus" em I Cor 12:28. Aliás, não é Ele Quem opera tudo, em todos? (6). Não teria sido útil desenvolver estes pontos, se não houvesse diferença entre os "dons de graça" e os "dons" ditos "espirituais", embora a Palavra de Deus os una, noutro lugar, numa mesma expressão. Paulo pode dizer: "Desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom (de graça) espiritual, a fim de que sejais confortados" (Rm 1:11). III- HAVERÁ VERDADEIROS CRISTÃOS "NÃO CARISMÁTICOS"? Além dos 5 empregos da palavra "carisma" que consideramos em l Cor 12, há 12 outros que nos mostram claramente que os carismas não se limitam às manifestações espirituais desse capítulo e ainda menos ao dom de línguas. Os carismas são graças conferidas a alguns crentes, tendo em vista o seu serviço útil (Notamos de memória os outros empregos: Rm 1:11; II Cor 1:11; I Tm 4:14 e II Tm 1:6).
Há carismas uns mais espectaculares do que outros, mas todos procedem do Espírito de Deus e são, portanto, sobrenaturais. Não estaremos abrindo uma brecha às contra-facções quando procuramos, por vezes doentiamente, unicamente dons espectaculares? Os cristãos injustamente chamados "não carismáticos" estão, pois, bem longe de rejeitarem os dons ditos espirituais: Aceitam-nos TODOS com gratidão a Deus, na medida em que esses dons provêm do Senhor e onde os que exercem estão submetidos à Escritura, mas não aceitemos as contrafacções. Qual éo critério infalível para nos guiar? É A PALAVRA DE DEUS! IV- TODOS OS CRENTES PODEM TER O MESMO DOM? É o ensino que alguns pretendem tirar deste verso: "Eu queria que vós todos falásseis em outras línguas; mas muito mais que profetizásseis" (l Cor 14:5). Ora, há uma diferença importante entre os desejos e as realidades. O mesmo verbo grego é empregado, por exemplo, em:
É bem verdade que devemos todos desejar com ardor os "dons" espirituais, mas o apóstolo precisa bem que não é para fazermos deles um objecto de adorno, mas sim para a edificação da Igreja (I Cor 12:13-14). O Espírito Santo nos dará, ou não, conforme a Sua sabedoria e a Sua soberania. Note-se que cada vez que o apóstolo exorta os crentes a desejar com ardor os dons de graça (I Cor 12:31; 14:1,12), sublinha a utilidade dos "maiores dons", nomeando particularmente "a profecia", em vista da "edificação da igreja". Será a humildade que leva certos cristãos a procurarem unicamente o dom espectacular das línguas que, por si só, não tem nenhum utilidade para edificação colectiva? Receamos que não. Face aos tempos que ocorrem, não deveríamos nós ser mais exercitados para pedirmos ao Senhor que derrame sobre muitos o dom do discernimento dos espíritos? No capítulo 12 da primeira epístola aos Coríntios encontramos três princípios fundamentais relativos aos dons de graça:
Esta última verdade é apresentada sob a forma de:
Ao terminar este rápido exame dos "dons" do Espírito, gostaríamos de pôr uma questão: "Somos nós todos membros do Corpo de Cristo que cumprem, com a qualificação recebida do Espírito, a função que nos é confiada?" Que cada qual responda por si. A Sagrada Escritura diz: "Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons dispensários da multiforme graça de Deus" (I Pe 4:10). E ainda: "Porque assim como, em um corpo, temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas, individualmente, somos membros uns dos outros. De modo que tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada..." (cumpramos integralmente a nossa função) (Rm 12:4-8). CONCLUSÃO "Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis no Filho e no Pai" (I Jo 2:24). Foi já neste século que alguém se pôs a ensinar que o falar em línguas era o sinal inicial e indispensável do baptismo do Espírito Santo; não é, pois, uma doutrina que venha do começo da cristandade; de resto, vimos já que não é uma doutrina bíblica. Mas é a "pedra angular" de todo um sistema sujo ensino se afasta muito da "fé que uma vez foi dada as santos" (Jd 3):
Seria preciso esperar até o século XX, ("os últimos tempos", "os tempos difíceis" - I Tm 4:1; II Tm 3:1) para ouvirmos, com espanto, que durante muitos séculos a Igreja se tinha edificado sem ministérios e sem dons espirituais por meio de pessoas que não tinham sido baptizadas do Espírito Santo pela única razão de essas pessoas não terem falado "em línguas"! Este é o resultado de uma doutrina baseada na "experiência" em vez de o ser na Palavra de Deus. Os pensamentos que seguem retiveram a nossa atenção e vamos submetê-los â apreciação dos nosso leitores:
Face a tanto exagero, tanta contrafacção, tanto engano, exortamos os nosso leitores a dirigirem-se humildemente a Deus, pedindo-Lhe discernimento. E que a Sua Palavra seja o nosso único guia, até ao regresso do Senhor. Terminaremos, recordando estas palavras do apóstolo Paulo:
Pierre Oddon - In Leituras Cristãs, XXXV
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