O amor da criatura para com o Criador requer necessariamente obediência; caso contrário, não tem qualquer sentido. (Francis Schaeffer) |
Está Escrito...
| O Cânon da Bíblia |
|
| Autor: John Davis | |||
|
O sentido desta palavra tem diversas aplicações, dentre elas, Escrituras Sagradas, consideradas como regra de fé e prática. A palavra cânon é de origem grega. Empregou-se, nesta acepção pelos primeiros doutores da Igreja, mas a ideia é mais remota. Para que um livro tivesse lugar entre os outros livros da Bíblia, precisava ser "canônico"; outro livro, sem os requisitos necessários para tal fim, chamava-se "não canônico". O Cânon do Antigo Testamento A literatura sagrada evoluiu gradativamente e foi cuidadosamente vigiada. Os dez mandamentos escritos em tábuas de pedra, e que eram a constituição de Israel, foram guardados em uma arca (Ex 40:20). Os estatutos foram registrados no livro do pacto (Ex 20, 23 - 23:33 - 24:7. O livro da lei, escrito por Moisés, era colocado ao lado da arca (Dt 31:24-26). A esta coleção se ajuntaram os escritos de Josué (Js 24. 26). Samuel escreveu a lei do reino e a depositou diante do Senhor (I Sm 10:25). Em tempo do rei Josias, o livro da lei do Senhor, o bem conhecido livro, foi encontrado no Templo e reconhecido pelo rei, pelos sacerdotes, pelo povo, pelas autoridades e pelos anciãos (II Rs 22:8-20). Do Livro encontrado se tiraram cópias (Dt 17:18-20). Os profetas reduziram as suas palavras a escrito (Jr 36:32), e eram familiarizados reciprocamente com os seus escritos que os citavam como padrões autorizados (Is 2:2-4; Mq 4:1-3). A lei e os profetas eram tidos como produções autorizadas; inspiradas pelo Espírito Santo, e cuidadosamente guardadas por Jeová (Zc 1:4; 7:7, 12. A lei de Moisés compreendendo os cinco primeiros livros da Bíblia, circulava como uma porção distinta da literatura sagrada no tempo de Esdras em cujas mãos esteve (Ed 7:14), sendo douto no conhecimento dela (6:11). A pedido do povo, ele leu publicamente no livro da Lei (Ne 8:1, 5, 8). Por este tempo, e antes de o cisma, entre os judeus e os samaritanos, chegar a seu termo, o Pentateuco foi levado para Samaria. O colecionamento dos profetas menores em um grupo de doze, é confirmado por Jesus, filho de Siraque, como em voga, no ano 200 a.C. (Ecclus 49:10). Sua linguagem dá a entender a existência do grande grupo formado pelos livros de Josué, Juizes, Samuel, Reis, Isaías, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores, que formavam a segunda divisão do cânon hebreu (46-49). A existência da tríplice divisão das Escrituras em “Lei, Profetas e os outros que os acompanharam”; ou “a Lei, os Profetas e os outros livros”, ou, “a Lei, os Profetas e o resto dos livros”, é confirmada já no ano 182 a.C. juntamente com a existência de uma versão grega da mesma época, atestada pelo neto de Jesus, filho de Siraque (Ecclua, prólogo). Em uma passagem do I Mac 12:9, datada do ano 100 a.C. se faz referência a livros sagrados “que estão em nossas mãos.” O judeu Filo, que nasceu em Alexandria no ano 20 a.C. e ali morreu no reinado de Cláudio, possuía o cânon, e citou quase todos os livros, com exceção dos Apócrifos. O Novo Testamento cita as “Escrituras” como escritos de autoridade religiosa (Mt 21:42; 26:56; Mc 14:49; Jo 10:35; II Tm 3:16); como livros santos (Rm 1:2; II Tm 3:15); e como Oráculos de Deus (Rm 3:2; Hb 5:12; I Pe 4:11); e menciona a tríplice divisão em Moisés, Profetas e Salmos (Lc 24:44); cita e faz referências a todos os outros livros, exceto Obadias e Naum, Esdras, Ester, Cântico dos Cânticos e Eclesiastes. Josefo que foi contemporâneo do apóstolo Paulo, cujos escritos datam do ano 100 a.D., falando do seu povo, diz: “Nós temos apenas 22 livros, contendo a história de todo o tempo, livros em que “nós cremos”, ou segundo geralmente se diz, livros aceitos como divinos”, e o mesmo escritor exprime em termos bem fortes, afirmando a exclusiva autoridade destes escritos, e continua, dizendo: “Desde os dias de Artaxerxes até os nossos dias, todos os acontecimentos estão na verdade escritos; ma estes últimos registros não têm merecido igual crédito, como os anteriores, por causa de não mencionarem a sucessão exata dos profetas. Há uma prova prática do espírito em que tratamos as nossas Escrituras; apesar de ser tão grande o intervalo de tempo decorrido até hoje, ninguém se aventurou a acrescentar, a tirar, ou a alterar uma única sílaba; faz parte da natureza de cada judeu, desde o dia em que nasce, considerar estas Escrituras como ensinos de Deus; confiar nelas, e, se for necessário, dar alegremente a vida, em sua defesa” . Josefo apresenta o conteúdo das Escrituras sob três divisões:
Até aqui, os fatos. Havia uma tradição corrente, que o cânon fora arranjado no tempo de Esdras e de Neemias. Josefo, já citado, fala da crença universal de seus patrícios de que nenhum livro havia sido acrescentado desde o tempo de Artaxerxes, isto é, desde Esdras e Neemias. Uma extravagante legenda do fim do primeiro século da era cristã deu curso a uma tradição de que Esdras havia restaurado a lei, é mesmo o Antigo Testamento inteiro por se haverem perdidos os exemplares guardados no Templo (Ne 14:21, 22, 40). Afirma a tal legenda que os judeus da Palestina, naquela época, reconheciam os livros canônicos, como sendo vinte e quatro. Uma passagem de duvidosa autenticidade e de data incerta, talvez escrita 100 anos antes de Cristo (II Mac 2:13), alude à atividade de Neemias em conexão à segunda e terceira divisão do cânon. Ireneu transmite a tradição assim: “Depois que os sagrados escritos foram destruídos, no exílio, sob o domínio de Nabucodonosor, quando os judeus, depois de setenta anos, voltaram do cativeiro para a sua pátria, Ele (Deus) nos dias de Artaxerxes, inspirou a Esdras, o sacerdote, da tribo de Levi, para arranjar de novo todas as palavras dos profetas dos dias passados, e restaurar para uso do povo a legislação de Moisés.” Elias, levita, escrevendo em 1588, fala da crença que o povo tinha, dizendo: “No tempo de Esdras os 24 livros ainda não estavam unidos em um volume. Esdras e seus associados fizeram deles um volume dividido em três partes, a lei, os profetas e a hagiógrafa.” Esta tradição contém verdades. Se pode ser aceita em todos os seus particulares, isso depende de determinar a data em que certo, livros foram escritos, tais como Neemias e Crônicas. O Pentateuco, como trabalho de Moisés, compreendendo a incorporação das leis fundamentais da nação, formou uma divisão do cânon, e com direitos firmados na cronologia, ocupou o primeiro lugar na coleção dos livros. Não sabemos por que estes livros se acham nesta divisão, quando é certo que alguns deles e partes deles que agora se acham nela, já existiam antes de Malaquias e Zacarias na segunda divisão. É conveniente que se diga que, conquanto o conteúdo das diversas divisões do cânon permanecessem inalteráveis, a ordem dos livros da terceira divisão variou de tempos em tempos; e mesmo na segunda divisão o Talmude dá Isaías entre Ezequiel e os Profetas Menores. Esta ordem dos quatro livros proféticos, Jeremias, Ezequiel, Isaías, e os Profetas Menores, foi evidentemente determinada pelo tamanho, dando a prioridade aos de maior volume. Logo no fim do primeiro século da nossa era, o direito de certos livros figurarem na terceira divisão do cânon, foi disputado. Não havia dúvida em pertencerem ao cânon. As discussões versaram sobre o conteúdo dos livros e sobre as dificuldades de harmonizá-los entre si. Estes debates, porém, eram meras exibições intelectuais. Não havia intenção de excluir do cânon qualquer destes livros, e sim tornar bem claro o direito que ele tinham aos lugares que ocupavam. O Cânon do Novo Testamento A igreja apostólica recebeu da igreja judaica a crença em uma regra de fé escrita. Cristo mesmo confirmou esta crença, apelando para o Antigo Testamento como a palavra de Deus escrita (Jo 5:37-47; Mt 5:17-18; Mc 12:36; Lc 16:31), instruindo os seus discípulos nela (Lc 24:45). Os apóstolos habitualmente referem-se ao Antigo Testamento como autoridade (Rm 3:2, 21; I Cor 4:6; Rm 15:4; II Tm 3:15-17; II Pe 1:21). Em segundo lugar, os apóstolos baseavam o seu ensino, oral ou escrito na autoridade do Antigo Testamento (I Cor 2:7-13; 14:37; I Ts 2:13; Ap 1:3), e ordenavam que seus escritos fossem lidos publicamente (I Ts 5:27; Cl 4:16-17; II Ts 2:15; II Pe 1:15; 3:1-2), enquanto que as revelações dadas à Igreja pelos profetas Inspirados, eram consideradas como fazendo parte, juntamente com as instruções apostólicas, do fundamento da Igreja (Ef 2:20). Era natural e lógico que a literatura do Novo Testamento fosse acrescentada à do Antigo, ampliando deste modo o cânon de fé. No próprio Novo Testamento se vê a intima relação entre ambos (I Tm 5:18; II Pe 3:1, 2, 16). Nas épocas pós-apostólicas, os escritos procedentes dos apóstolos e tidos como tais, foram gradualmente colecionados em um segundo volume do cânon, até se completar o que se chama o Novo Testamento. Porquanto, desde o princípio, todo livro destinado ao ensino da Igreja em geral, endossado pelos apóstolos, quer fosse escrito por algum deles, quer não, tinha direito a ser incluído no cânon, e constituía doutrina apostólica. Desde os primeiros três séculos da Igreja, era baseado neste principio que se ajuntavam os livros da segunda parte do cânon. A coleção completa fez-se vagarosamente, por varias razões. Alguns dos livros só eram conhecidos como apostólicos em algumas Igrejas. Somente quando esses livros entraram no conhecimento do corpo cristão em todo o Império Romano, é que eles foram aceitos como de autoridade apostólica. O processo adotado foi lento, por causa ainda do aparecimento de vários livros heréticos e escritos espúrios, com pretensões de autoridade apostólica. Apesar da sua lentidão, os livros aceitos por qualquer igreja, eram considerados canônicos porque eram apostólicos. O ensino dos apóstolos era regra de fé, e lido nas reuniões do culto público. Já no principio do segundo século, os escritos apostólicos eram chamados Escrituras. Os evangelhos segundo Marcos e Lucas entraram na Igreja pela autoridade de Pedro e Paulo, de que foram companheiros. Logo começaram os comentários a estes escritos, cuja fraseologia saturou a literatura da idade pós-apostólica. São dignos de nota os seguintes fatos para explicar a rapidez com que a coleção dos Livros se estendeu a toda a Igreja. Os quatro evangelhos entraram nas igrejas desde o principio do segundo século. A segunda epístola de Pedro (II Pe 3:16), mostra-nos que as epístolas de Paulo já haviam formado uma coleção de escritos familiares aos leitores das cartas de Pedro. Muito cedo aparecem as expressões “evangelho” e “apóstolos” designando as duas partes do novo volume. A evidência sobre a canonicidade dos Atos Apostólicos, leva-nos à primeira metade do segundo século. Alguns livros, é certo, sofreram contestações por parte de certos grupos de igrejas, mas serve para provar que tais livros entraram no cânon depois de evidentes provas de sua autenticidade. Finalmente, vê-se que a Igreja da Síria, no segundo século, recebeu como canônicos todos os livros de que se compõe o atual Novo Testamento, exceto o Apocalipse, a epístola de Judas, a segunda de Pedro, a segunda e a terceira de João. A Igreja Latina aceitou todos os livros, menos as epístolas de Pedro, a de Tiago, a terceira de João; a Igreja africana do norte aceitou todos os livros, exceto a epístola aos Hebreus, a segunda de Pedro e talvez a de Tiago. As coleções recebidas pelas mencionadas igrejas somente continham os livros que elas haviam recebido formalmente, como de autoridade apostólica, mas isto não prova a não existência de outros livros de igual procedência e autoridade. Os restantem eram universalmente aceitos no curso do terceiro século, apesar de opiniões diferentes a respeito de alguns deles. No decorrer dos tempos, e quando entramos na época dos concilios, o Novo Testamento aparece na lista dos livros canônicos como hoje o temos. No quarto século, dez dos padres da Igreja e dois concílios deixaram listas dos livros canônicos. Em três destas listam omitem o Apocalipse, contra o qual se levantaram objeções que desapareceram diante dos testemunhos abundantes em seu favor. As outras listas dão o Novo Testamento como hoje o temos. Em vista destes fatos, deduzimos:
John Davis
|
Publicações Recentes
- Carnaval! Uma Festa de Quem?
- A Solução de Conflitos Entre Irmãos
- Antes e Depois da Morte
- A Fascinante Perspectiva da Glória do Calvário
- O Sacrifício dos Nossos Corpos
- O Princípio das Dores?
- Últimos Dias
- O Tribunal de Cristo
- Unidade ou Confusão
- A Oração Eficaz
- Transportado Acima das Circunstâncias
- O Lado Vida da Cruz
- Desperdice Seu Câncer
- A Oração é Tão Vasta Quanto o Próprio Deus
- Somente Jesus dá Vida Eterna

























