A Terceira Morada de Satanás

Segundo Ezequiel 28:12b, quando Satanás foi criado, ele foi “o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura”. Séculos atrás surgiu uma tendência geral de representar Satanás como feio e medonho. A grande maioria das imagens e retratos de Satanás por escultores e artistas o mostra como uma criatura muito feia. Deve-se salientar que em nenhum lugar da Bíblia é essa a imagem de Satanás. Nunca o vemos como um homem com chifres, rabo e vestido com roupa vermelha. Na verdade, segundo as Escrituras, de todos os seres criados ele foi o mais bonito, bem como o mais sábio.

Ainda segundo Ezequiel, Satanás foi nomeado querubim da guarda do trono de Deus, no monte santo de Deus, que era a mais alta posição que podia ser ocupada por uma de Suas criaturas. Com este evento, este ser era o maior de todos os seres criados, não só em sabedoria e beleza, mas também em poder e autoridade. Esta foi a sua primeira morada.

Satanás ostentava o seu resplendor cobrindo-se de toda pedra preciosa, e andando para cima e para baixo no meio das pedras ardentes no “Éden, jardim de Deus” conforme Ezequiel 28:14. “Éden” pode ser traduzido como “deleite” e é provavelmente nesse sentido que é usada aqui. A descrição no versículo anterior, indicando beleza de ordem mineral, não parece ser do mesmo jardim que Deus plantou para o uso de Adão. O “Éden” de Gênesis 2:8 é uma palavra muito antiga que pode também ser traduzida como “planície”. Segundo uma interpretação judaica o primeiro seria um “jardim mineral” e o segundo um “jardim vegetal”, plantado na terra mais tarde. O “jardim mineral do Éden” foi a segunda morada de Satanás.

A certa altura, orgulhoso por causa da sua beleza e com sua sabedoria corrompida pelo seu resplendor (Ezequiel 28:17 NVI), Satanás declarou “subirei ao céu… exaltarei o meu trono… no monte da congregação me assentarei… subirei acima das alturas das nuvens… e serei semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14:12-14). Com esse propósito, liderou uma revolta contra a autoridade de Deus em que ele foi seguido por um terço de todos os anjos (Apocalipse 12:3-4). Desta forma a Estrela da Manhã (Isaías 14:12) tornou-se em Satanás, “o Adversário” ou “o Acusador”. O juízo de Deus não tardou a vir sobre ele (Ezequiel 28:16 NVI): perdeu sua primeira morada, que era a posição elevada como o guardião do trono de Deus: “Por isso eu o lancei, humilhado, para longe do monte de Deus”. Depois perdeu a sua segunda morada, o privilégio que tinha em decorrência daquela posição: “e o expulsei, ó querubim guardião, do meio das pedras fulgurantes”.

Em Efésios 2, Satanás é o príncipe das potestades do ar. Em Efésios 6, ele está nos lugares celestiais. Assim, a terceira e atual morada pode ser descrita como o céu atmosférico. Não está no inferno com os demônios, como contam as anedotas! Ele vive nos ares, ou na atmosfera, mas ainda tem acesso a duas outras localidades: o céu e a terra.

Ele ainda pode ir ao Céu e ficar de pé diante da presença de Deus para ser o acusador dos irmãos (Apocalipse 12: I0), como foi contra Jó (Jó 1:6, 2:1) e Israel (Zacarias 3:1). Quando um crente não confessa algum pecado, Satanás se põe de pé diante do trono de Deus Pai para acusá-lo. Por isso os crentes precisam do ministério de Cristo como seu Advogado. Sempre que Satanás vem acusá-los, o Senhor pode dizer: “Ponha o pecado na minha conta. Eu já paguei por esse pecado, quando morri por ele na cruz.” Desta forma, o nosso Salvador ainda continua em ministério diante de Deus por nós. Por outro lado, os crentes têm a responsabilidade de ser cuidadosos para não dar motivos para que Satanás os acuse diante do Trono de Deus.

Satanás também tem acesso à terra. Ele ainda é o príncipe deste mundo (João 12:31). Ele ainda é o deus deste século (2 Coríntios 4:4) e é o príncipe de todos os reinos do mundo e pode oferecê-los a quem ele quer (Lucas 4:5-7). Quando ele usa a sua permissão de acesso à terra, ele o faz em uma de duas formas:

Na forma de um leão que ruge (1 Pedro, 5:8). O objetivo de se apresentar como um leão que ruge é para destruição. Esta é a maneira em que Satanás frequentemente apareceu ao povo judeu ao longo da história judaica. Satanás age no princípio que “qualquer um que o Senhor ama, Satanás vai odiar”. Através dos Profetas e do Novo Testamento Deus enunciou o Seu eterno amor para com o povo de Israel e, portanto, Satanás tem movido uma guerra perpétua contra os judeus, procurando destruí-los em todas as oportunidades possíveis. Satanás também apareceu como um leão que ruge à Igreja. Nos primeiros séculos da história da Igreja, Satanás usou o governo romano. Milhares de fiéis foram alimentados aos leões literais nas arenas de Roma. Como usou o governo romano para tentar acabar com a Igreja daquela época, ainda hoje nos países comunistas e nos países muçulmanos, entre outros, ele continua usando os governos para tentar acabar com os grupos de crentes que existem nesses países.

Na forma de um anjo de luz (2 Coríntios 11:14). Nesta forma, o propósito de Satanás é o engano. A quinta resolução de Satanás foi “serei semelhante ao Altíssimo”. Satanás já sabia que não podia ser o próprio Altíssimo, por isso decidiu apenas tornar-se semelhante a Ele. Assim, Satanás incitou um programa de falsidades para implementar um trabalho de decepção, mesmo entre os verdadeiros crentes, incentivando-os a se orientarem por experiência e cegando-os à sua necessidade de um estudo cuidadoso da Palavra de Deus. O programa de falsificação é realizado tanto contra os crentes (2 Coríntios 11:3) como contra os incrédulos (Apocalipse 20:3).

O objetivo de uma falsificação é fazer algo que se pareça o mais possível com o original. Uma nota falsa só terá sucesso se puder ser confundida com a verdadeira. Os investigadores policiais passam por um treinamento intensivo para conhecer uma nota verdadeira em seus menores detalhes, para que possam conferir com acerto as notas que lhes são apresentadas. As melhores falsificações ainda podem apresentar alguma falha, seja uma qualidade diferente de papel, tinta de outra espécie, alteração no desenho de algum pormenor obscuro da nota legítima, mas nunca é um defeito óbvio para quem não conhece a nota verdadeira.

Da mesma forma, o programa falsificado de Satanás se parece muito com o programa real de Deus contido nas páginas das Escrituras. O programa de Satanás não terá falhas óbvias em si próprio. Portanto, os crentes devem ser treinados nas Escrituras para serem capazes de discernir a diferença entre o real e o falsificado.

A natureza do programa falsificado é encontrada em 2 Coríntios 11:3-4… “Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo. Porque, se alguém vem e vos prega outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, de boa mente o suportais!”.

No versículo 4, Paulo rotulou três coisas com a palavra “outro”: outro Jesus, [outro] espírito, [um] outro evangelho. Por causa da astúcia de Satanás os crentes de Corinto seriam capazes de suportar a pregação de um Jesus diferente do que aquele que Paulo pregava, outro espírito do que o que haviam recebido ou mesmo outro evangelho do que o que haviam abraçado. Não sabiam ainda distinguir o falso do verdadeiro.

Os versículos 13-14 do mesmo capítulo declaram: “Pois os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, disfarçando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz”. Os que estavam propagando um falso Jesus foram claramente identificados por Paulo como falsos apóstolos, mas não se pareciam como tal porque “se disfarçavam” para parecer e soar como se fossem ministros reais de Cristo. Ao fazer isso, eles estavam refletindo o seu verdadeiro senhor, Satanás, o anjo das trevas, que se disfarça para aparecer como um anjo de luz. Faz parte integrante do programa falsificado propagar um Jesus que é muito semelhante ao Jesus do Novo Testamento, mas é uma falsificação tão bem feita que pode passar despercebida pelos crentes menos conhecedores da Palavra de Deus.

Até onde o programa falsificado pode ser realizado é visto em Mateus 7:22-23… “Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitos milagres? Então eu lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade!”.

Deve-se observar atentamente o que eles são capazes de realizar em nome de um falso Senhor. Podem expulsar demônios, profetizar usando o nome de Cristo, realizar milagres como curas, entre outros. No entanto, o Senhor Jesus lhes dirá: “Nunca vos conheci”. A razão pela qual todas estas manifestações exteriores em si não provam nada é porque Satanás pode duplicar todas elas. O teste real nunca é a existência de manifestações exteriores. O verdadeiro teste é sempre o da conformidade com as Escrituras. O que está sendo dito, que está sendo feito e ensinado está em conformidade com os ensinamentos da Palavra escrita de Deus? Não temos outro teste pelo qual devemos julgar. Em nossos dias modernos quando há tanta ênfase no sensacional, na experiência e nos sentimentos, muitos crentes estão sendo apanhados em vários movimentos “superespirituais” por nenhuma outra razão além da existência de manifestações exteriores. Ao fazer isso, nunca amadurecem na fé ou produzem em si mesmos o tipo de fruto que Deus quer que os crentes produzam.

No meio do período da tribulação Satanás será precipitado sobre a terra (Apocalipse 12:9), sendo esta a sua quarta morada. Mas será amarrado e lançado na sua quinta morada, o abismo, depois da segunda vinda de Cristo (Apocalipse 20:1-3). Terminado o milênio ele será solto brevemente na terra e depois lançado na sua sexta e final morada, o lago de fogo e enxofre, onde será atormentado, dia e noite, com a besta e o falso profeta, pelos séculos dos séculos (Apocalipse 20:7-10).

 

Richard David Jones