A Comunhão é Como Um Fio Frágil

Há um fenômeno deveras popular na vida cristão fenômeno conhecido por recaída. Uma pessoa que recai é um verdadeiro cristão que está fora da comunhão com Deus por causa de pecado não confessado em sua vida.

O Que significa estar fora da comunhão com Deus? Bem, pense da seguinte forma: Deus é santo e sem pecado. Não há nEle treva nenhuma (1 Jo 1.5). Para poder andar em comunhão com Deus, um pessoa precisa confessar e abandonar seus pecados assim que fica ciente dos mesmos. Afinal de contas, comunhão significa “compartilhar em comum”. Como duas pessoas podem se dar bem como sócios a não ser que estejam de comum acordo? (Am 3.3). Como alguém pode estar em comunhão com Deus se a pessoa fecha os olhos ao pecado em sua vida, enquanto Deus o condena? (1 Jo 1.6-7).

Comunhão em um círculo familiar significa que os membros estão vivendo juntos e em alegria. Mas vamos supor que o marido e a esposa têm uma disputa amarga! A comunhão quebrou-se. Uma nuvem escura de ressentimento e tensão paira sobre eles. O espírito de família feliz fica quebrado até que marido e esposa confessem e façam as pazes. Assim também é na família de Deus. O pecado quebra a comunhão, o frágil fio de comunhão se rompe, e esse fio permanece rompido até que o pecado seja confessado e abandonado.

Mas enquanto o pecado interrompe a comunhão, não rompe o relacionamento. No momento da conversão, uma pessoa se torna filho de Deus pela fé no Senhor Jesus Cristo (Jo 1.12). Este relacionamento é iniciado através do nascimento espiritual. Nada pode rompê-lo. Uma vez que o nascimento ocorreu, o relacionamento não pode ser mudado. É indissolúvel.

É por essa razão que o relacionamento do cristão é comparado a uma corrente inquebrável, ao passo que sua comunhão é mais semelhante a um único fio em uma teia de aranha. Quando o cristão peca, ele ainda é um filho de Deus, mas o espírito de família feliz se foi. Ele não perde a sua salvação, mas ele perde a alegria do gozo de sua salvação.

Pode acontecer com qualquer cristão. Na maioria dos casos, começa com a negligência da Palavra de Deus e da oração. As pressões da vida destroem pouco a pouco o tempo devocional. Ao distanciarmo-nos da influência da Bíblia, nós não mais consideramos o pecado com tanta importância. Desenvolvemos uma atitude tolerante e liberal. As tentações não mais no parecem nojentas; para dizer a verdade, a expectativa do pecado se torna atraente. Começamos a pensar acerca do pecado, é óbvio que jamais o cometeríamos. Porém pensamos tanto no pecado que se torna familiar a nós. Depois nos aventuramos, brincamos, provamos — e finalmente mergulhamos (Tg 1.14-15).

A maioria dos cristãos têm uma recaída em uma época ou outra em suas vidas. A Bíblia nos conta acerca de alguns do santos que se destacaram por que permitiram que o pecado rompesse a sua comunhão com Deus — Ló, Sansão, Noemi, Davi, Jonas, Pedro e Demas, por exemplo. O cristão que pensa que isto jamais aconteceria com ele está em maior perigo de levar um tombo (1 Cor 10.12).

A partir do momento em que o fio de comunhão é rompido, o Espírito Santo começa a trabalhar para efetuar a nossa restauração. Ele procura nos convencer do pecado e trazer-nos ao lugar de arrependimento e confissão. Devido ao nosso orgulho e dureza, isso pode levar semanas, meses ou até mesmo anos.

Todo pecado deve ser confessado a Deus. Mas se o nosso pecado afetou os outros, devemos confessá-lo a eles também (Mt 5.23-24). A restituição deve ser efetuada em todos os casos onde o nosso pecado causou dano real aos outros.

Imediatamente que houve uma confissão genuína a Deus e aos homens, a restituição se efetua, e com isso a comunhão com Deus é restaurada, e o Espírito Santo pode continuar o ministério que Ele ama: fazer com que o cristão se ocupe das glórias do Senhor Jesus Cristo (Jo 16.14).

Será que um cristão, então, pode pecar e sair impune? A resposta é obviamente NÃO. Mas ao considerar a pergunta, ajuda bastante quando fazemos um distinção entre a PENALIDADE do pecado e as CONSEQUÊNCIAS do pecado.

Está evidente na Bíblia que a pessoa que recai nunca pagará a penalidade eterna do seu pecado. Essa penalidade foi paga pelo Salvador quando Ele ficou pendurado na Cruz. Aqueles que creem nEle não entrarão em juízo, mas já passaram da morte para a vida (Jo 5.24). Em outras palavras, quando um verdadeiro cristão peca ele não está, por causa do pecado, condenado ao inferno. Cristo satisfez completamente a penalidade do pecado por derramar Seu sangue no Calvário. Deus não exigirá pagamento duas vezes, primeiro de Cristo e depois de nós.

Quando um filho de Deus peca, o diabo o acusa perante o Trono de Deus nos Céus. Então o Senhor Jesus dá um passo à frente e se apresenta como Advogado, mostrando as feridas nas Suas mãos, pés, lado e diz, algo nesse sentido: “Eu paguei por esse pecado no Calvário. Coloque-o na Minha conta” (1 Jo 2.1).

Portanto, a pessoa que tem uma recaída não terá de pagar as consequências eternas do seu pecado no inferno. Mas precisamos acrescentar rapidamente que talvez ele tenha de sofrer as consequências do seu pecado na sua vida e no Céu também. Algumas das consequências do pecado nesta vida poderias ser:

a) Desonra trazida ao Nome do Senhor;
b) Testemunho arruinado;
c) Miséria e tristeza provocada aos outros;
d) Um desperdício enorme de tempo e dinheiro;
e) Distúrbios físicos e emocionais;
f) Vergonha e remorso profundo;
g) Miséria e desgraça pessoal;
h) Oportunidades desperdiçadas para servir a Cristo;
i) Outros tropeçam por causa do exemplo da pessoa que teve uma recaída.

As consequências do pecado no Céu, incluem:

a) Perda de galardão no Tribunal de Cristo (1 Cor 3.15);
b) Uma redução da capacidade de poder apreciar o Senhor e apreciar as glórias do céu.

Não obstante, Deus é maior do que todos os nossos pecados. Ele espera que a pessoa que recai volte-se a Ele. A porta está sempre aberta. As boas vindas reais o esperam. E o Senhor tem meios maravilhosos de indeferir o nosso pecado e fracasso para Sua própria glória e para nosso próprio bem.

Vimos, portanto, que a causa de toda recaída é o pecado. É isso que rompe a nossa comunhão com Deus. E a nossa comunhão permanece rompida até que o pecado seja confessado e abandonado.

 

William MacDonald [ Escrito em 1967, “Counsel Magazine”, Winter 2012 | Traduzido por Meg Crawford ]