A Bíblia Sagrada

A Bíblia não é um tratado sistemático de teologia, de moral, de história, de ciência ou de qualquer outro tema, mas:

É A REVELAÇÃO DE DEUS quanto à Queda do Homem; quanto ao Caminho da Salvação; quanto ao Plano e Propósito de Deus para os tempos do Passado, do Presente e do Futuro.

A Bíblia trata de:

  • Quatro Pessoas: Deus o Pai, Deus o Filho, Deus o Espírito Santo e Satanás;
  • Três Lugares: O Céu, a Terra, o Inferno;
  • Três Classes de Pessoas: O Judeu, o Gentio e a Igreja.

«Havendo Deus antigamente falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais pelos profetas…» (Hb 1.1)

Homens santos de Deus falaram, conforme o Espírito Santo os moveu, durante um período de cerca de 1600 anos, desde Moisés até ao apóstolo João.

A Bíblia é constituída por 66 livros: 39 no Velho Testamento e 27 no Novo. Estes livros foram escritos por umas 40 pessoas. Por reis, como David e Salomão; por homens de estado como Daniel e Neemias; por sacerdotes como Esdras; por Moisés, instruído na cultura do Egipto; por homens instruídos na lei Judaica como Paulo; por pastores, como Amós; por um coletor de impostos como Mateus; por pescadores como Pedro, Tiago e João que «eram homens iletrados»; por um médico como Lucas; e por grandes videntes e profetas como Isaias, Ezequiel, Daniel, Zacarias, entre outros.

Não é um livro asiático, embora tenha sido escrito naquela parte do mundo. As suas páginas foram escritas nas areias do Deserto do Sinai, nas cidades da Arábia, nos montes e cidades da Palestina, nos pátios do Templo, nas escolas de profetas de Betel e de Jericó, no palácio de Susã, na Pérsia, nas margens do rio Quebar, em Babilónia, nas catacumbas de Roma e na isolada ilha de Patmos, no Mar Egeu.

A Bíblia foi compilada da forma descrita, ela não é, de modo algum, uma «selva heterogénea» de histórias, lendas e mitos antigos e especulações e superstições religiosas.

Na Bíblia a revelação e a doutrina são progressivas. O Velho e o Novo Testamento não são livros separados e distintos. O Novo e o Velho, são ambos metades de UM TODO. O Novo Testamento está implícito e, de certo modo, contido no Velho, e o Velho Testamento está implícito e enunciado no Novo. Não se pode compreender «Levítico» sem a grande carta aos «Hebreus», ou «Daniel» sem o «Apocalipse», ou a «Páscoa» ou «Isaias 53» sem os «evangelhos» de Mateus, Marcos, Lucas e João.

Enquanto que a Bíblia é A REVELAÇÃO DE DEUS, ela não está escrita numa linguagem sobre humana ou celestial. Se tivesse sido desta forma, não poderíamos compreendê-la. Todavia, a sua origem sobrenatural permite que ela seja traduzida para as outras línguas sem perder o seu poder espiritual e a capacidade\de dar vida, E, quando traduzida para qualquer língua, fixa essa língua na sua melhor forma. A linguagem da Bíblia tem três formas distintas – Figurativa, Simbólica e Literal.

Linguagem Figurativa

Expressões como «não endureças o teu coração» e «deixai que os mortos enterrem os seus mortos», são FIGURATIVAS e o seu significado é tornado claro pelo contexto.

Linguagem Simbólica

Notemos os seguintes exemplos:

A descrição da «GRANDE ESTÁTUA» do sonho de Nabucodonosor; «As quatro bestas selvagens» de Daniel; «Cristo no meio dos sete castiçais» Esta linguagem simbólica é explicada ou no próprio texto ou em algum outro lugar da Bíblia.

Linguagem Literal

A Bíblia deve ser interpretada de acordo com as normas da gramática e da retórica ou oratória. Isto significa que devemos ler a Bíblia como lemos qualquer outro livro, deixando que ele diga o que tem a dizer, sem alegorizar ou espiritualizar o seu significado. O falso método de interpretar a Bíblia é que tem conduzido a tantas seitas e denominações.

Há três coisas que devemos evitar ao manusear a Palavra de Deus:

  1. ERROS DE INTERPRETAÇÃO das Escrituras;
  2. APLICAÇÕES ERRADAS das Escrituras;
  3. DESLOCAÇÕES das Escrituras.

O problema é que os homens não querem deixar as Escrituras dizer o que elas querem dizer. Isto é em grande parte devido ao seu treino, ao seu ambiente, aos preconceito ou ao desejo de fazer a Escritura «ensinar» alguma doutrina favorita. Não devemos esquecer o «método parabólico» de comunicar a verdade. Jesus não o inventou, embora o tenha usado largamente. O método foi usado pelos profetas do Velho Testamento. No Novo Testamento é usado como «a forma mistério» de comunicar a verdade.

Leia-se atentamente Mt 13.10-17:

Os discípulos perguntaram a Jesus: «porque lhes falas por parábolas?».

Jesus respondeu: «porque a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não lhes é dado: porque àquele que tem (amor pela verdade) se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até o que tem lhe será tirado…».

Um «mistério» é uma verdade de Deus, que esteve oculta, nos tempos do Velho Testamento, que Jesus começou a revelar e cuja revelação total foi dada pelo Espírito Santo através dos apóstolos e, particularmente, de Paulo. Todavia, o Mestre só revelava o significado das Parábolas aos que tinham amor pela verdade. Este é um princípio básico da Bíblia e do Espírito Santo.

«…os que perecem porque não receberam O AMOR DA VERDADE para se salvarem» (2 Ts 2.10).

A BÍBLIA É O LIVRO DE DEUS OU O LIVRO DO HOMEM?

De outro modo: foi Deus que a escreveu ou é uma mera colecção de escritos dos homens?

  • A Bíblia narra, com severidade, os pecados dos seus maiores homens, como Abraão, Jacó, Moisés, David e Salomão denunciando pecados como falsidade, perfídia, orgulho, covardia, assassinato, licenciosidade grosseira;
  • A Bíblia apresenta os Filhos de Israel com um relato humilhante de ingratidão, idolatria, descrença e rebelião e podemos dizer, com segurança, que se o Livro não tivesse sido guiado e inspirado pelo Espírito Santo, os Judeus jamais fariam crónicas do percurso pecaminoso da sua nação.

Então, como foi escrita a Bíblia? A própria Bíblica dá a resposta:

«Toda A Escritura é inspirada por Deus….» (2 Tm 3.16).

Devemos entender que Deus escolheu homens e dirigiu-os para escreverem os textos da Bíblia, tais como mensagens, leis, doutrinas, os factos históricos e revelações, tal como Deus desejou que os homens conhecessem tudo isso. Todas as Escrituras foram escritas, nas línguas originais, por INSPIRAÇÃO DIVINA («opneustos») ou «exalada por deus»(«Exalar» significa «emitir» ou «lançar fora de si»). Portanto, a Bíblia é A PALAVRA DE DEUS. Não é verdade que a Bíblia contenha aqui e a li a Palavra de Deus. ELA É A PALAVRA DE DEUS.

  • Deus escreveu «AS DUAS TÁBUAS DO TESTEMUNHO, em tábuas de pedra: «E Deus deu a .Moisés…as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, ESCRITAS PELO DEDO DE DEUS» (Ex 31.18);
  • Deus também escreveu nas paredes do palácio de Belshazar (Dn 5.5, 24-28);
  • Deus falou com Moisés, no Monte Sinai, quando lhe deu as especificações para construção do Tabernáculo e dos seus moveis e toda a Lei Levítica e a ordem dos cerimoniais;
  • Deus falou no Baptismo de Jesus (Mt 3.17), e no Monte da Transfiguração (Mt 17.5), e um dia quando Jesus falava à multidão (Jo 12.27-30).

Mas Deus não só falou diretamente aos homens, Ele falou-lhes na Pessoa de Jesus, pois JESUS FOI DEUS MANIFESTO EM CARNE. Vemos, pois, que Deus ESCREVEU e FALOU.

Como foram estes homens inspirados a escrever as escrituras?

Foram eles simplesmente mergulhados numa forma de «encantamento» ou «êxtase», ou «transe» e escreveram sob essa influência aquilo que vinha à sua mente, ou Deus, por meio do Seu Espírito, ditou-lhes exatamente as palavras que deviam escrever? Sabemos que o pensamento só pode ser expresso por meio de palavras e essas palavras devem expressar exatamente o pensamento do orador, ou escritor, e, se não for assim, o seus pensamento não pode ser expresso com rigor. Vemos, pois, que a capacidade de a Bíblia não errar exige que as sagradas escrituras fossem simplesmente escritas por amanuenses (pessoas que escrevem o que lhes é ditado).

É isto que a Escritura reivindica para eles:

«…nenhuma Escritura é de particular interpretação» (2 Pe 1.20-21). Isto é, nenhum homem tem o direito de dizer o que as Escrituras, segundo a sua opinião, significam Porquê?

«Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram, inspirados pelo Espírito Santo».

Isto é confirmado pelo facto de que muito do que os Profetas do Velho Testamento escreveram, não era compreendido por eles Leia-se atentamente 1 Pe 1.10-11.

Que os Profetas do Velho Testamento escreveram e falaram exatamente as palavras que Deus lhes ditou, transparece das próprias declarações deles. Moisés declara que Deus lhe disse:

«Vai, pois, agora e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar» (Ex 4.10-12).

O Profeta Jeremias diz:

«Então, estendeu o Senhor a mão, tocou-me na boca e disse-me o Senhor: eis que ponho as minhas palavras na tua boca» (Jr 1.6-9).

Ezequiel, Daniel e todos os profetas fizeram a mesma afirmação. As expressões «o Senhor disse», «O Senhor falou dizendo», «Assim disse o Senhor», e outras do género, ocorrem 500 vezes no Pentateuco, 300 vezes nos livros Históricos, 1200 vezes nos Profetas.

  • A «Inspiração Bíblica» é inspiração sobrenatural, em que as exactas palavras de Deus são comunicadas ao orador ou escritor pelo Espírito Santo.
  • A «Revelação Bíblica» cessou com o Livro do Apocalipse.

Desde então não houve mais nenhuma revelação de Deus. Quando alguns hoje dizem ter recebido «revelações de Deus» devem ser classificados como impostores.

«Iluminação Espiritual» é diferente de «Inspiração Biblica» ou «Revelação».

O trabalho do Espírito Santo, pois, nestes dias, não é transmitir alguma nova revelação aos homens, ou inspirá-los a escrever ou a falar como os Profetas e Apóstolos do passado. O trabalho do Espírito Santo, nestes dias, é iluminar as mentes dos homens e abrir o seu entendimento das Escritura para que os seus corações possam arder com elas à medida que comparam Escritura com Escritura porque nelas Deus tem-lhes revelado o Seu Plano e Propósito para as Eras ou Ciclos de Tempo.

 

Augusto Esteves [ Refrigério Online 144 ]


Nota Importante: Este trabalho é a tradução livre, com “itálicos” nossos e pequenos «toques» no texto traduzido, do estudo «The Prophetic Word» de Clarence Larking, no seu tratado «Dispensational Truth».